Poeira Emocional: Raízes de Amargura

Certa vez, em uma época de pouca chuva, eu dirigia para casa.

Naquele dia eu estava brava com algo que hoje nem lembro mais.

Seguia no automático, desligada do mundo, correndo como se estivesse atrasada para um compromisso muito importante.

Até que avistei uma mulher caminhando. Ela acenava para mim e eu não conseguia entender o que ela queria dizer.

Diminuí a velocidade e apenas a cumprimentei com a cabeça.

Quando olhei pelo retrovisor, entendi.

Eu estava rápido demais, levantando poeira pelo caminho, e ela apenas me pedia para ir mais devagar.

Foi então que o Espírito Santo falou ao meu coração:

“Esse é o rastro da poeira que você deixa pelo caminho quando vive sem se preocupar com as pessoas à sua volta e com o que elas sentem.”

Então percebi o quanto os problemas externos estavam roubando minha gentileza.

Sem perceber, eu estava me tornando amarga.


Quando a dor muda nosso olhar

Logo me lembrei de alguém que também deixou a dor transformar sua forma de enxergar a vida: Noemi.

Ela saiu da sua terra com o marido e os dois filhos por causa de uma grande seca. Ali, perdeu o esposo. Mais tarde, seus filhos também morreram. Restou apenas ela e uma de suas noras.

Quando decidiu voltar para sua cidade, as mulheres a reconheceram e a chamaram pelo nome. Mas seu coração estava tão ferido pelas perdas que ela respondeu:

“Não me chamem Noemi; chamem-me Mara.”

Naquela época, os nomes carregavam significado, identidade e propósito.

Noemi significava “agradável”, “encantadora”. Mara significava “amarga”.

“Ela, porém, respondeu: ― Não me chamem Noemi; melhor que me chamem Mara, pois o Todo-poderoso tornou a minha vida muito amarga!” — Rute 1:20-21


A poeira emocional

Essa história nos ensina muitas coisas, mas hoje penso especialmente em como as dores da vida podem roubar a beleza dos nossos dias e endurecer nosso coração no relacionamento com as pessoas.

Noemi tinha motivos profundos para se sentir assim.

Ainda assim, nós muitas vezes assumimos essa postura por feridas menores que carregamos sem tratar.

Quantas pessoas têm recebido nossa poeira emocional?

Às vezes achamos que estamos apenas tentando sobreviver aos nossos próprios problemas, sem perceber a poeira que levantamos sobre quem caminha ao nosso lado.

“Tendo cuidado de que ninguém se prive da graça de Deus, e de que nenhuma raiz de amargura, brotando, vos perturbe, e por ela muitos se contaminem.” — Hebreus 12:15

A amargura nunca permanece apenas em nós. Ela transborda.

Por isso, quando tiramos os olhos de nós mesmos e passamos a enxergar o outro, fica mais fácil escolher uma postura diferente, mesmo em meio às crises.

Que sejamos reflexo do caráter de Deus.

Que, por onde passarmos, deixemos amor — e não poeira.

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