Hoje o dia começou mais cedo por aqui. Marido e crianças me trouxeram ao trabalho.

Adoro mostrar para as crianças onde estou quando estou longe deles.

Sei lá, parece que o peso de ficar tanto tempo fora diminui um pouquinho quando consigo mostrar a eles um pedaço do meu mundo.

Chove muito. A estrada para casa já está entrando em estado de alerta.

Já devo ter falado sobre chuva por aqui, mas como não falar dela novamente se ela é fonte de vida?

Vida. Aquela que tantas vezes negligenciamos, como se fosse infinita.

Engraçado. Quando somos jovens, carregamos cargas que dificultam o nosso caminho e, talvez, nem percebamos o peso delas.

Quando adultos, temos de dar conta de sentimentos que nem sabíamos que estavam por ali.

Essa semana, ouvi mais sobre o passado da minha família do que em uma vida inteira.

E algumas coisas que antes eu conseguia enxergar apenas como ruins começaram a fazer sentido diante de toda a história percorrida até aqui.

Isso não apaga o que doeu. Não transforma o passado em algo bonito.

Mas talvez nos permita olhar para ele com outros olhos.

Quebrar ciclos é difícil.

Talvez porque não seja apenas sobre o que recebemos, mas também sobre o que escolhemos não carregar adiante.

As mágoas marcadas pela vida abriram espaço para a graça.

Hoje, consigo lembrar do esforço que existiu para que eu tivesse minhas festas de aniversário todos os anos, independentemente de tudo.

Todas essas coisas formaram quem eu sou hoje.

E seguir um caminho diferente, às vezes, é solitário.

Mas, para mim, tem sido um caminho de cura.

Um caminho de graça.

E, aos poucos, de paz também.

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